Voz da Fórmula 1 por mais de três décadas, Galvão Bueno deu adeus a Rede Globo em 2022. Em entrevista concedida para a Folha de S. Paulo, o narrador detalhou como foi sua despedida da emissora, revelando que ficou chateado com a última proposta oferecida pela emissora carioca.
Galvão declarou que, quando seu contrato com a Globo encerrou, as duas partes haviam combinado que ele não atuaria em vagas semelhantes aos que ocupava na emissora carioca em outros canais concorrentes pelos próximos dois anos. Contudo, este acordo chegou ao fim e o canal da Família Marinho decidiu procurar o narrador e questionar se ele teria um novo projeto para apresentar para continuasse contratado, o que não lhe cativou.
“Gentilmente me fizeram a pergunta: você gostaria de apresentar algum projeto para continuar por aqui? Achei isso um pouco de desaforo. Um pouco de falta de elegância. Eu ter que apresentar um projeto depois de 43 anos de sucesso na casa?! Me perguntaram se eu tinha algum projeto e eu disse que tinha: ir embora”, declarou o narrador.
Após sua saída, Galvão contou que ainda recebeu propostas da CazéTV e do Paramount+, mas decidiu recusar por serem concorrentes da Globo. Em 2023, o comunicador estreou seu próprio canal no Youtube, chegando a transmitir um amistoso entre Brasil e Marrocos, porém deixou claro que não pretendia ficar apenas no digital. Em fevereiro deste ano, o narrador esportivo foi contratado pela Bandeirantes, onde já havia trabalhado no fim da década de 70 e início dos anos 1980.
“Fiquei muito feliz em voltar para a TV aberta. Não quero ser youtuber, quero fazer televisão no Youtube. O Johnny Saad, dono da Band, me disse que fico o tempo que quiser, quando eu quiser, falou”, comemorou.
Na Band, o narrador possui seu próprio programa, nomeado de “Galvão e Amigos”, em que recebe convidados para comentar sobre o mundo esportivo, especialmente o futebol. Contudo, durante a edição especial de aniversário, o comunicador decidiu falar sobre a relação com Ayrton Senna.
“A diferença era de dez anos. Ele era o irmão mais novo que eu não tive. Eu fico emocionado, de verdade. Ele era o irmão mais novo, e eu, o irmão mais velho. O corredor amadurece muito mais rápido. Os desafios são mais duros e mais fortes. E ele me dava muitos mais conselhos no final do que eu a ele”, relembrou.
Nos últimos momentos da conversa com a Folha, Galvão declarou que se sente realizado na carreira e novamente cita o piloto brasileiro.
“No automobilismo, só de poder contar a história de Ayrton Senna e mudar o nome dele de Ayrton Senna da Silva pra Ayrton Senna do Brasil… essa foi embora junto comigo”, finalizou visivelmente emocionado.