A Red Bull seguiu introduzindo atualizações no carro para recolocar Max Verstappen na disputa pelo título da Fórmula 1, mas o novo assoalho levado ao México não o convenceu. O desgaste excessivo o levou a voltar para a especificação usada em Monza. Yuki Tsunoda, por sua vez, segue com as evoluções mais recentes do RB21.
A equipe nunca abandonou a crença em uma virada no campeonato, mesmo quando a diferença para o líder ultrapassava 100 pontos. Por isso, continuou apostando em inovações técnicas visando recuperar competitividade, desafiar a McLaren e manter vivas as últimas chances no Mundial.
Essa reação só foi possível graças a dois fatores: o trabalho interno para entender o comportamento do carro e o pacote de atualizações introduzido ao longo dos últimos meses — das asas ao assoalho apresentado em Monza.
A Red Bull conseguiu fazer o carro operar com uma altura do solo mais baixa, o que se combinou bem com as mudanças na asa dianteira. Nessa linha, o assoalho adotado em Monza foi essencial e serviu como base para novos desenvolvimentos. No México, a equipe levou uma versão ainda mais modificada, mas ela não entregou o desempenho esperado, obrigando Verstappen a recuar para a especificação anterior.

Tetracampeão identificou problemas no carro
No México, Verstappen relatou um incômodo claro: em trechos de alta velocidade, o assoalho tocava o asfalto mais do que deveria, causando raspagens e desestabilizando o carro. Isso ocorreu principalmente na classificação, quando o limite é mais explorado e as velocidades mais altas geram maior downforce — e, consequentemente, mais atrito.
Na corrida, embora o carro estivesse mais pesado, as velocidades menores nessas mesmas curvas ajudaram a reduzir o problema, permitindo a Max recuperar equilíbrio e garantir um pódio.
Entretanto, o contato excessivo com o solo não é prejudicial apenas pelo desgaste do assoalho. Ele também compromete a estabilidade — exatamente o que se repetiu no Brasil, sobretudo na sexta-feira. O RB21 voltou a tocar demais o asfalto em trechos rápidos, afetando a confiança do piloto. Após a sprint, Verstappen e a equipe decidiram abandonar as mudanças do México e retornar ao fundo usado em Monza.
Desde então, o tetracampeão não voltou à especificação mais recente e, segundo Paul Monaghan, isso pode seguir assim até o fim da temporada. Verstappen tem reclamado do comportamento e da altura do carro, especialmente no início dos fins de semana, quando a equipe ainda ajusta o acerto.
“As diferenças são pequenas e, com um assoalho usado, você chega perto de um novo, mesmo com a geometria revisada. O assoalho levado ao México foi reconstruído para gerar mais carga”, explicou o engenheiro-chefe em Las Vegas.
Vale destacar que Interlagos e Las Vegas são pistas sensíveis à altura do solo e possuem grandes irregularidades. Já no Catar, o asfalto é mais liso, o que deve reduzir o risco de contato excessivo com o piso. Além disso, em Lusail haverá chance de ajustar o carro após a sprint com base nos dados coletados.
No fim das contas, a escolha depende também da preferência dos pilotos, especialmente a de Verstappen, que decidiu abandonar a versão mais nova. “É uma questão de preferência e de compromisso. Temos evidências circunstanciais e seguimos em frente”, afirmou Monaghan.
Curiosamente, enquanto Max voltou à versão antiga, Tsunoda segue utilizando o assoalho do México. A Red Bull atribui isso às preferências individuais, mas é evidente que contar com um piloto coletando dados comparativos ao longo do fim de semana também traz uma vantagem técnica importante.