Campeão mundial de 1992, Nigel Mansell faz parte do grupo de lendas da Fórmula 1, porém o britânico teve uma despedida um tanto melancólica dentro da principal categoria do automobilismo mundial, quando saiu da McLaren pelas portas do fundo em 1995, depois de mal conseguir ficar dentro do carro.
Ao longo de toda sua carreira no automobilismo, o piloto sempre flertou com a aposentadoria, mas em momentos totalmente distintos, como ocorreu em 1990, por conta de uma frustração pelo seu atual momento na Ferrari, anunciando após o abandono no GP de Silverstone que iria parar de correr naquele ano.
Contudo, poucos meses depois mudou de ideia e mudou-se para o Grove, assinando com a Williams para o ano seguinte. Em sua segunda passagem pela equipe britânica, obteve os melhores resultados da sua carreira, garantindo o título mundial com cinco corridas de antecipações.
Mesmo com o título, Mansell e a Williams não conseguiram chegar a um acordo para aumentar o vínculo e em setembro de 1992, ele anunciou sua saída de vez da F1 e migrou para o automobilismo norte-americano em 93, competindo na Indy pela equipe Newman Haas e sagrando-se campeão logo na temporada de estreia.
Mas o destino quis que Mansell retornar-se para a Williams, não por algo bom. Em 1994, com a inesperada morte de Ayrton Senna durante a corrida em Ímola, tanto a equipe do Grove quanto a F1 ficaram abalados e sem um nome de relevância para a competição, convocando novamente o britânico para participar de quatro etapas, todas elas não conflitando com seus compromissos na Indy.
Retorno para a F1 e salário
Conseguindo ter um resultado de destaque ao vencer o GP da Austrália, Mansell decidiu buscar uma nova chance em tempo integral na Fórmula 1. Inicialmente, ele queria permanecer na Wiilliams, porém a equipe estava na justiça com a McLaren para ter o passe de David Coulthard, priorizando o escocês ao vencer a disputa.
Mansell então apareceu como alternativa para a McLaren, que estava em um momento de transição e buscava um nome de peso para compor o grid, fechando contrato em fevereiro e gerando muitos burburinhos, já que ele e Ron Dennis, eram desafetos declarados.
Aos 41 anos de idade, Mansell teria um salario de um ano, com seu salário especulado em US$ 8 milhões, pago meio a meio pela Malboro e Mercedes.
As expectativas para a temporada estavam altas, porém quando o carro foi para a pista, o otimismo sumiu. O MP4-10 tinha sérios problemas de equilíbrio e no motor da Mercedes, faltando potência e confiabilidade.
Mansell e Mika Hakkinen, seu companheiro de equipe, também reclamaram bastante do cockpit apertado, fazendo os pilotos baterem suas mãos e cotovelos nas bordas quando viravam o volante.
O time fez algumas mudanças no carro, mas Mansell tinha um quadril e ombro mais largos que Hakkinen, permaneceu reclamando do carro, mas considerou ele como “aceitável”. A McLaren justificava que o projeto foi feito pensando em David Coulthard e no finlandês que permaneceu na equipe.
A situação não estava boa no campeonato e desandou de vez em Barcelona, quando Mansell fez tudo o que não deveria e ainda abandonou o carro no box, declarando que ele estava “praticamente impossível de pilotar”, abandonando a corrida.
Ron Dennis comentou que não tinha nenhum problema técnico no carro que impedisse o britânico de continuar e que ele, simplesmente decidiu sair. O clima na escuderia ficou insustentável e no dia 23 de maio, a McLaren anunciou que Mansell teve uma “rescisão em comum acordo”.
Alguns rumores afirmam que a McLaren desembolsou cerca de US$ 2 milhões para Mansell pelo rompimento antecipado do vínculo, substituído por Mark Blundell, que pontuou logo na sua primeira corrida.