Um dos maiores comunicadores esportivos do país, Galvão Bueno marcou a vida das pessoas ao atuar como narrador, principalmente em sua época na Globo. Agora fora da emissora carioca, o jornalista que esteve presente em vários momentos importantes e podemos dizer que até fatídicos, como a morte de Ayrton Senna em 1994, em Ímola.
Falecido há 31 anos, o tricampeão mundial tornou-se assunto nos últimos dias após ser tema do documentário de Adriane Galisteu no HBO Max, chamado “Mey Ayrton”. Contudo, o que poucas pessoas sabem é que a tragédia que ocorreu na Itália, quase acabou com a vida de Galvão, como o próprio contou durante uma participação no ‘Roda Viva”, em 2024.
“O acidente aconteceu quando estava abrindo a sétima volta. Não me sai da cabeça um erro que cometi. Era uma vontade que tinha, assim como milhões de brasileiros, que ele pudesse sair bem. A primeira sensação que tive era: vão tirar ele do carro, ele vai bater a poeira e vai embora. Mas aquela demora para tirar do carro, aquela coisa mais séria, não deixa ninguém ver, vem a ambulância, o helicóptero”, iniciou o pensamento.
“Tem um momento em que ele mexe a cabeça. E eu digo: ‘Senna mexeu a cabeça, está voltando’. Depois de todas as conversas que tive com o Sid Watkins, que era o médico da Fórmula 1, aquele foi o estertor da morte. Depois ficamos sabendo que a barra da suspensão quebrou, entrou e saiu”, relembrou Galvão, que pensou está tudo bem por conta das movimentações que estava acontecendo.
O narrador relembrou que no momento em que recebeu a confirmação do falecimento de Senna, quando o piloto já estava no Hospital Maggiore. Ele estava acompanhado do ex-piloto de F1 Gerhald Berger e de Antônio Carlos de Almeida Braga, o empresário do piloto.
“O Sid Watkins veio na sala falar com a gente e disse: ‘A notícia que eu tenho é a pior possível: ele está morto. O coração bate, mas a morte cerebral já foi determinada faz tempo. Mas posso garantir a vocês que ele não está sofrendo. Não posso impedir ninguém de vê-lo, mas não aconselho'”, comentou o narrador afirmando que não teve coragem de ver o corpo do piloto.