A Rede Globo enfrentou um forte abalo após a trágica morte de Ayrton Senna, impacto que se refletiu tanto na audiência da Fórmula 1 quanto no valor cobrado dos anunciantes para a temporada de 1995. A primeira sem o tricampeão mundial.
A liderança da emissora nas transmissões da F1 — retomadas a partir de 2026, após cinco anos com os direitos na Band — tem uma longa história: a Globo exibiu o Mundial entre 1972 e 1979 e de 1981 a 2020, período marcado pelo fatídico acidente de Senna durante o GP de San Marino, em 1994, narrado por Galvão Bueno.
A perda do tricampeão mexeu profundamente com o país e também com os números da emissora. Na Grande São Paulo, a audiência das corridas caiu de 22 pontos em 1993 para entre 17 e 18 em 1994. O impacto também atingiu o mercado publicitário: para 1995, a Globo reduziu o valor das cotas de patrocínio de 8 milhões de dólares para 6,5 milhões.
O plano comercial divulgado em dezembro de 1994, já sem Senna no grid, atraiu cinco marcas — o mesmo número do ano anterior. Três delas (uma fabricante de chinelos, uma cervejaria e uma montadora) permaneceram. As novidades foram uma marca de alimentos e uma de salgadinhos, substituindo anunciantes do setor farmacêutico.
A comoção nacional também se refletiu na programação jornalística. No domingo da tragédia, o “Fantástico” registrou 51 pontos. No dia seguinte, o “Jornal Nacional”, então apresentado por Cid Moreira, marcou 56 e chegou a 58 pontos na quarta-feira daquela semana.
Globo precisou fazer alterações na grade de programação
Quanto às corridas, o GP do Brasil de 1994 alcançou 41 pontos — acima da etapa de Ímola, que marcou 32, e muito superior ao GP de Mônaco, que atingiu apenas 20 após o acidente. A grade também precisou ser ajustada: o programa esportivo “Sinal Verde”, comandado por Léo Batista, foi deslocado para depois do “Supercine”, antecedendo a novela das nove, segundo o jornal Meio & Mensagem.