Durante o Grande Prêmio do Japão de 2004, o tufão Ma-on causou grandes estragos no fim de semana da corrida, porém forneceu um cenário perfeito para Michal Schumacher acrescentar outra nota de rodapé importante à história da Fórmula 1, tudo isto no dia 10 de outubro.
Com ventos chegando a 160 km/h atingindo o Circuito de Suzuka no sábado, todas as atividades da pista foram anuladas enquanto a supertempestado devastava o Japão.
As circunstância incomuns obrigaram os organizadores da corrida a remarcarem ambas as sessões de qualificações para o dia seguinte, ou seja, no domingo, criando um espetáculo incomum da pole position sendo decidida poucas horas antes do GP.
Considerado intocável naquela que seria sua última temporada campeã, Schumacher aproveitou a oportunidade de maneira peculiar.
Entrando na pista entre os últimos pilotos no circuito úmido, porém seco, o piloto alemão da Ferrari conquistou a pole position com quase meio segundo de vantagem sobre o seu irmão, Ralf Schumacher. Michael então converteu sua primeira posição no classificatório em vitória ao fim da tarde.
Mesmo as combinações de qualificação e corrida acontecendo no mesmo dia terem ocorrido em outra oportunidade na F1, essa situação continua incomum, e sendo uma oportunidade para Schumacher, tornando-se o primeiro piloto a conquistar a pole position e a vitória no Grande Prêmio no mesmo dia, um prêmio em uma temporada na qual ele havia refeito os livros de recordes com 13 vitórias em 18 corridas.
Última título
A própria corrida tinha um domínio previsível das Ferraris, mesmo tendo Ralf Schumacher, da Williams, quem apresentou um desafio maior para o seu irmão mais velho.
Largando na segunda posição do grid, o alemão manteve sua posição durante a tarde, porém nunca foi uma ameaça real para a liderança do heptacampeão mundial de Fórmula 1.
Está foi a última vez que ocorreu uma dobradinha dos irmãos na Fórmula 1, marcando o fim de uma era da famosa família de pilotos.
Atrás dos irmãos Schumacher, Jenson Button fez uma corrida estável até o terceiro lugar pela BAR Honda, capitalizando as adversidades dos outros pilotos e as condições climáticas desafiadoras que misturam o grid na manhã de domingo.
Durante a corrida, o contanto entre Rubens Barrichello e David Coulthard acabou resultando no abandono de ambos automobilistas após 38 voltas. Com Schumacher garantindo o título e a temporada sendo finalizada, nenhum dos pilotos se preocupou com o ocorrido, declarando apenas ser um incidente de corrida.
Porém mesmo com a vitória irrefutável de Schumacher dominando as Manchester, o abandono de Mark Webber foi quem surpreendeu aquele fim de semana. O australiano tinha uma tarde promissora, mas tudo mudou quando seu cockpit começou a superaquecer drasticamente. A tentativa desesperada da equipe de abafar a situação ao despejar um balde água em seu carro durante o pit stop possibilitou um alívio momentâneo.
Por conta do calor que aumentava constantemente, Webber foi obrigado a abandonar a corrida na volta 20, sofrendo leves queimaduras na coxa. O australiano então, decidiu explicar sua situação naquele momento.
“Não conseguimos encontrar a causa do calor, então continuei na esperança de que ele esfriasse ou pelo menos permanecesse estático. Não aconteceu, e o calor logo ficou insuportável, e eu não tive outra opção a não ser abandonar. Você precisa estar totalmente focado na corrida, e quando a temperatura está tão alta que você é fisicamente afetado e, portanto, distraído, é preciso tomar a decisão de parar. Estou, claro, decepcionado por não ter conseguido continuar a corrida e terminar na zona de pontuação”, declarou Webber.