Após mais uma temporada turbulenta na Fórmula 1, a Aston Martin deve passar por uma nova reestruturação em seu departamento de engenharia. De acordo com informações do Motorsport.com, até sete engenheiros sêniores estão deixando a equipe ou sendo realocados para a divisão de tecnologias avançadas da empresa.
Entre eles está Eric Blandin, contratado da Mercedes em 2022 como vice-diretor técnico, e que posteriormente foi transferido para uma função voltada à aerodinâmica após uma reestruturação interna.
Fontes indicam que essas mudanças não são uma reação imediata à queda de desempenho da equipe — em Austin, Fernando Alonso chegou a dizer que o carro da Aston era apenas o oitavo ou nono mais rápido do grid. Em vez disso, tratam-se de ajustes estratégicos baseados no feedback de Adrian Newey, que se juntou à equipe no início do ano após sua saída da Red Bull.
Nomes de grande importância também foram contratados
Nos últimos anos, a Aston Martin passou por uma verdadeira onda de contratações de peso, trazendo nomes como Dan Fallows (ex-Red Bull) para o cargo de diretor técnico, Eric Blandin (ex-Mercedes) e Enrico Cardile (ex-Ferrari) como chefe técnico. A transição de Cardile foi tão longa — devido ao período de licença contratual na Scuderia — que sua chegada à equipe ocorreu antes mesmo de Newey entrar nos planos da Aston.
No entanto, como apontam especialistas, reunir grandes engenheiros não é sinônimo de sucesso imediato. Projetar um carro de Fórmula 1 envolve o trabalho coordenado de centenas de profissionais, e estrutura, processos e liderança são fundamentais. Newey, reconhecido por seu estilo singular, gosta de manter uma visão global do conceito do carro enquanto se envolve diretamente nas áreas onde pode contribuir mais tecnicamente..
Com o teto orçamentário em vigor, revisões estruturais também se tornaram práticas comuns entre as equipes, já que todos os salários envolvidos no desenvolvimento do carro precisam se enquadrar no limite financeiro — com exceção de três cargos de alto escalão.
Questionada sobre a reestruturação, a equipe declarou ao Motorsport.com: “Não comentamos sobre assuntos internos da equipe e não temos nada a anunciar.”
Uma das áreas que mais preocupam Newey é o simulador da Aston Martin, que ele já havia classificado, em uma entrevista recente, como “uma desvantagem por dois anos”, apesar dos investimentos do proprietário Lawrence Stroll. Para corrigir isso, o engenheiro trouxe Giles Wood, da Red Bull, para liderar o setor de simulação e modelagem, com o objetivo de acelerar o progresso tecnológico.
Na autobiografia de Newey, ele credita a Wood e ao estrategista Will Courtenay boa parte da transformação que tornou a Red Bull mais competitiva em 2010, quando a equipe passou de erros estratégicos a uma operação de ponta.
Desde que Andy Cowell assumiu o cargo de CEO há um ano, a Aston Martin tem passado por ajustes profundos. Ex-responsável pela Mercedes High Performance Powertrains — divisão de motores da marca em Brixworth —, Cowell aplicou sua experiência em estruturação organizacional de alto rendimento, incluindo a expansão de suas responsabilidades para a chefia da equipe.
Segundo o Motorsport.com, as recentes mudanças na Aston Martin foram moldadas a partir do feedback conjunto de Newey e Cardile, com foco total no projeto de 2026 — quando entram em vigor os novos regulamentos técnicos da Fórmula 1.