O quanto a temporada que começa em poucos meses se aproximará da “Motor Formula” ainda é uma incógnita — e só será possível descobrir na pista. O mesmo vale para a real vantagem, caso exista, do novo projeto da Mercedes, que, segundo rumores, pode se tornar a referência do próximo ciclo técnico.
Em 2026, quatro equipes seguirão equipadas com o motor V6 produzido em Brixworth, agora com a Alpine ocupando o lugar deixado pela Aston Martin. Sendo assim, serão oito carros (oito chances) de vermos a Mercedes vencer com seu motor.
Nenhum outro fabricante terá um volume de fornecimento tão alto — e, consequentemente, o mesmo acesso a dados gerados por até oito carros simultaneamente em todo o grid da categoria máxima do automobilismo mundial.
Pensando adiante, no ciclo seguinte de unidades de potência, previsto para começar entre 2030 e 2031 (ainda em discussão), a Mercedes pretende reduzir esse nível de compromisso e equilibrar melhor sua carga de produção. A ideia é passar das atuais quatro equipes para um número mais enxuto.
Mercedes quer cortar fornecimento a clientes após 2030
Toto Wolff comentou o assunto e explicou: “Já conversamos sobre isso internamente, inclusive com Ola (Källenius, CEO da Mercedes-Benz), e nossa intenção é diminuir o número de equipes clientes no próximo ciclo. O ideal seria algo entre duas e três. Vai depender de como as novas regras serão definidas, se serão mais simples ou não, e do quanto achamos que podemos aprender ao trabalhar com várias equipes ao mesmo tempo.”
A Mercedes viveu, nas duas últimas temporadas, o desconforto de ver sua cliente McLaren vencer corridas de forma consistente — situação em que Wolff admitiu que, se soubesse da força da equipe de Woking, talvez não tivesse fornecido motores. A partir de 2030, porém, a principal motivação para reduzir o número de clientes é mais pragmática: capacidade de produção.
“Se você é a Honda, precisa produzir quatro ou cinco motores. Fornecer para mais equipes significa prazos maiores e ciclos de produção mais longos”, destacou Wolff. “Por isso, considerando todos esses fatores, no futuro não teremos mais quatro equipes usando motores Mercedes.”