Estreando na atual temporada da Fórmula pela Sauber, Gabriel Bortoleto tinha a missão de representar o Brasil na principal categoria do automobilismo mundial, visto que o último brasileiro no grid foi Felipe Massa, em 2017. O estreante então foi contratado pela pior equipe da temporada passada e após um início desgastante, logo caiu nas graças dos apaixonados por velocidade.
Logo na primeira corrida, Gabriel não finalizou, mas com o tempo, conseguiu evoluir e chamar atenção dos fãs e imprensa especializada.
Principal repórter de F1 que atua in loco desde 2007, Mariana Becker explica como Bortoleto conquistou o respeito e admiração da imprensa internacional, deixando claro que as atitudes e posicionamento do brasileiro foram determinantes.
“Desde o princípio, o posicionamento público dele na Austrália, sem ter sequer entrado no carro. Um jovem chegando, ainda como todo jovem, sem saber do que que era capaz, ainda inseguro como todos eles. É só ver o Hadjar na primeira corrida, que bateu indo para o grid e saiu chorando; eles chegam com essa pressão. Aí, no primeiro dia, ele tem que encarar uma declaração de um dos caras mais importantes do meio que era o Helmut Marko dizendo que ele era um piloto B. Então, ele de cara já se posicionou muito bem”, explicou Becker, em entrevista exclusiva para o Motorsport.com.
A repórter relembrou que o piloto da Sauber respondeu com educação todos os questionamentos feitos, de maneira segura. Tendo como principal característica, Bortoleto é muito franco e sempre responde sobre o assunto perguntado, além de explicar coisas que ocorrem dentro da equipe ou com seu carro.
O desempenho de Gabriel tem surpreendido, visto que ele conseguiu evoluir bastante em tão pouco tempo. Os primeiros pontos foram conquistados na 11ª etapa do campeonato, na Áustria, e desde então, o brasileiro esteve na zona de pontuação em outras três etapas. Outro fator que chama atenção é o fato de suas classificações superarem o seu companheiro, Nico Hulkenberg, contando até com as sprints: 12 x 7.
“É um desempenho não só constante e estável, mas que dá uma ideia de ter um estofo, sabe? Não é uma coisa à toa, só em um GP, porque vários caras quebraram aí ele se dá bem e no outro. Ele não é instável na forma de pilotar. Não só nos resultados e nos números, mas na forma de guiar. Você vai vendo que ele é estável e aí vai melhorando”, detalhou a repórter.
Mariana Becker explica que a evolução é associada ao bom relacionamento com os outros pilotos e como se comporte frente a situações diferentes, tornando-o em alguém confiável e bastante admirado por todos.
“Ele é um cara que passa a ideia de uma promessa sólida, um cara sólido. E eu fiquei muito surpresa já, desde o início, de ter ouvido, principalmente da mídia inglesa, que é bastante crítica e às vezes pondera muito até elogiar algum piloto. Falando não da mídia do dia a dia, mas da mídia tradicional, analítica. Eles começaram a elogiar o Gabriel e fiquei bem surpresa porque eu não estava acostumada a ouvir isso”, contou. “Acho que nesse primeiro ano ele está se conquistando, conquistando o que ele se propõe. Conquistou a equipe e, numa situação rara da gente ver, também tá conquistando a mídia em torno dele”, declarou.