A McLaren passou a ser a grande força da Fórmula 1. Campeã de construtores em 2024, o time britânico fez ainda melhor repetindo o feito entre as equipes e fazendo de Lando Norris campeão entre os pilotos. Mas, para um famoso nome da categoria, esse sucesso também se deve a uma manobra feita pela FIA fora das pistas.
O chefe da Mercedes, Toto Wolff, afirmou que o teto de gastos transformou a Fórmula 1 em uma verdadeira “meritocracia”, em vez de uma “corrida armamentista”, após a McLaren conquistar seu primeiro título de pilotos desde 2008.
Lando Norris superou Max Verstappen e Oscar Piastri, encerrando uma sequência de 15 temporadas dominada por Red Bull e Mercedes. Antes do limite orçamentário, introduzido em 2021, Red Bull, Mercedes e Ferrari eram amplamente as equipes com mais recursos — mas a nova regra nivelou o jogo.
A Mercedes enfrentou grandes dificuldades durante toda a era do efeito solo, iniciada em 2022 e concluída recentemente em Abu Dhabi, vencendo apenas sete das 92 corridas disputadas nesse período. Questionado se a equipe teria recuperado terreno mais rapidamente sem o teto de gastos, Wolff foi direto:
“Sabíamos exatamente o que aconteceria com o teto — não só para equilibrar o lado comercial, mas para deixar o grid mais nivelado, e não apenas os mesmos de sempre gastando muito mais que os outros.”
Ele reforçou que, sem o limite, tudo voltaria a ser um duelo financeiro entre gigantes:
“Poderíamos ter simplesmente comprado nosso caminho de volta ao topo? Veja a Red Bull e a Ferrari: elas têm as mesmas possibilidades financeiras que nós. Seria novamente uma corrida armamentista. E talvez não fosse a McLaren que estivesse brigando agora. No fim, vence o melhor piloto no melhor carro — e desta vez não fomos nós.”
Lando Norris compartilha da mesma visão. Para ele, o sucesso da McLaren se deve ao enorme avanço no desenvolvimento do carro, superando as rivais de forma consistente — mesmo com a Red Bull reduzindo parte do déficit ao longo da temporada.
“Conquistar outro título de construtores tem o mesmo sabor do primeiro, porque conseguir aquele primeiro já foi enorme considerando onde estávamos três anos atrás.”
O britânico ainda destacou que isso aconteceu justamente no momento em que a F1 está mais restrita: “Com menos tempo de túnel de vento, mais limitações e o limite de orçamento, tudo isso acabou nos favorecendo nos últimos anos, comparado ao que os outros podiam gastar antes.”