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F1: McLaren “roubou” ideia para fazer carro vencedor de 2025

Por Leandro Geraldone
15 de dezembro de 2025
Em Últimas notícias
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A McLaren foi soberana no Campeonato Mundial de 2025, encerrando a temporada com 833 pontos e garantindo o título de construtores pelo segundo ano consecutivo. O MCL39 se destacou como o carro que melhor interpretou o conceito dos monopostos de efeito solo, ao buscar corrigir limitações que esse regulamento apresentou desde sua introdução, em 2022.

Entre os principais desafios estavam a dificuldade de operar com altura extremamente reduzida sem gerar oscilações excessivas e a subviragem crônica. Esse comportamento era consequência direta do centro de pressão aerodinâmica, gerado majoritariamente sob o assoalho, estar mais recuado do que o centro de gravidade do carro, o que tornava a fase de entrada de curva particularmente delicada.

Para contornar essas limitações, o time de Woking levou o conceito ao limite. Sob a liderança de Rob Marshall, com Mark Ingham como projetista-chefe, Neil Houldey à frente da engenharia e Peter Prodromou comandando a aerodinâmica, além do apoio de Giuseppe Pesce, a McLaren adotou soluções ousadas e pouco conservadoras — algo que o próprio chefe da equipe, Andrea Stella, fez questão de destacar após a corrida de Abu Dhabi.

“Passei o Natal preocupado, sem conseguir relaxar, pensando no quanto havíamos ido longe demais ao levar o conceito ao extremo, especialmente em áreas como a caixa de direção e a suspensão dianteira”, revelou Stella.

A declaração faz referência, por um lado, ao posicionamento pouco convencional da caixa de direção, instalada à frente do chassi, porém dentro dele e atrás do ponto de fixação dianteiro do braço inferior da suspensão — uma região extremamente complexa, que praticamente não permitiria correções posteriores caso a solução se mostrasse inadequada.

Mas, sobretudo, Stella se referia à suspensão dianteira. O desenho se caracterizava por um braço superior com inclinação bastante acentuada e um braço traseiro ancorado muito mais para trás do que o habitual, com o objetivo de otimizar a gestão aerodinâmica da plataforma do carro do ponto de vista da dinâmica veicular.

Na prática, o MCL39 não era apenas uma evolução do modelo de 2024, mas um conceito que ia além, concebido para criar uma vantagem de desempenho difícil de ser anulada pelos rivais e baseada em soluções que não poderiam ser facilmente copiadas ao longo da temporada.

Ideia de Adrian Newey virou conceito bem feito pela equipe

Esse tipo de abordagem, historicamente associado a Adrian Newey, mostrou-se plenamente assimilado por Rob Marshall, seu antigo braço direito. Ainda assim, o MCL39 não estava livre de limitações, especialmente no que diz respeito à adaptação aos estilos de pilotagem de Lando Norris e Oscar Piastri.

A elevada eficácia dinâmica da suspensão dianteira, inicialmente, comprometeu a sensação de ambos os pilotos na entrada de curva. Com nuances diferentes, os dois relataram uma dianteira “insensível”, incapaz de transmitir de forma clara e imediata o nível de aderência disponível no momento de apontar o carro para o vértice.

Diante disso, a McLaren introduziu uma evolução da suspensão dianteira no GP da Áustria. Norris considerou a atualização positiva e passou a utilizá-la, enquanto Piastri optou por permanecer com a configuração original durante toda a temporada, sem adotar a versão revisada.

Embora a convergência de desempenho entre os carros justifique a prioridade dada às preferências individuais dos pilotos, em algumas pistas — especialmente na segunda metade do campeonato — a decisão de Piastri pode ter lhe custado rendimento, limitando sua capacidade de extrair o máximo potencial do MCL39 em comparação com Norris.

A precisão extrema do carro, porém, acabou cobrando seu preço em um episódio específico: o GP de Las Vegas. Confiando na estabilidade dinâmica do MCL39, os engenheiros optaram por uma configuração radical de altura mínima ao solo, acreditando que o asfalto da Strip estivesse livre de irregularidades significativas.

Após a corrida, ambos os carros foram desclassificados devido ao desgaste excessivo das pranchas. Segundo Andrea Stella, o problema foi causado por oscilações induzidas por ondulações do asfalto que haviam sido subestimadas durante a preparação.

Assim, embora o MCL39 tenha sido o carro mais eficiente do grid ao longo do ano, nem sempre foi um modelo que seus dois pilotos conseguiram explorar plenamente. Essa pequena margem de exploração acabou abrindo espaço para que, a partir do GP da Itália, Max Verstappen e a Red Bull se mantivessem na briga pelo título de pilotos até a etapa final da temporada.

Do ponto de vista técnico, a análise visual do MCL39 revela o posicionamento bastante recuado do triângulo superior da suspensão dianteira, o desenho aerodinâmico extremamente limpo das laterais e, principalmente, a seção estreita da tampa do motor em direção ao eixo traseiro.

A vista lateral remete ao MCL38, mas essa semelhança é apenas superficial, escondendo mudanças profundas, sobretudo no comportamento dinâmico do carro. O triângulo superior fortemente inclinado e o ponto de fixação recuado da suspensão dianteira sintetizam a filosofia não conservadora que definiu o projeto — e que, apesar dos riscos, acabou sendo um de seus maiores trunfos.

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