No dia 16 de dezembro de 1997, foi proferido um veredicto em um tribunal localizado em Monza, pondo fim a uma das histórias jurídicas mais questionáveis da Fórmula 1.
Em apenas 60 segundos, equivalente a um minuto, o juiz Antônio Costanzo absolveu seis réus, dentre eles Sir Frank Williams, fundador da equipe Williams, das acusações de homicídio culposo relacionado à trágica morte de Ayrton Senna no circuito de Ímola, em 1994.
A decisão finalizou um período de testes de 10 meses que planou sobre o esporte, gerando questionamentos profundos sobre a responsabilidade, segurança e o futuro da categoria na Itália.
Em 1º de maio de 1994, Senna morreu em um acidente fatal quando seu Williams-Renault saiu da pista na curva Tamburello e se chocou com força em um muro de concreto a cerca de 233 km/h.
Na época, os promotores afirmaram que houve uma falha em uma coluna de direção modificada, fazendo com que o tricampeão mundial perdesse o controle do seu carro e se chocasse. O diretor técnico da Williams, Patrick Head e o projetista-chefe, Adrian Newey, estavam entre os acusados pela morte.
Após a absolvição dos seus integrantes, a Williams emitiu um comunicado de sua sede em Oxfordshire, comentando a decisão final do caso.
“A Williams Grand Prix Engineering tem o prazer de confirmar que Frank Williams, Patrick Head e Adrian Newey foram absolvidos de todas as acusações que foram objeto do julgamento de Ímola. Acreditamos firmemente que este foi o único resultado apropriado para o julgamento e agora aguardamos a temporada de 1998 com confiança e entusiasmo”, finalizou a equipe britânica.
Fora do tribunal, o advogado da Williams, Peter Goodman falou sobre seus sentimentos, comentando que as provas estavam ao favor do time e que não culpá-los era o correto.
“Achei que as provas estavam muito a nosso favor e que o veredicto de não culpado era o correto. As provas da acusação não foram consistentes e, na minha opinião, não poderiam ter levado a um veredicto de culpado. Frank ficará muito satisfeito por tudo ter terminado”, finalizou.
Situação da Fórmula 1
Caso o veredicto tivesse um resultado diferente, as consequências irão muito além da Williams. O então presidente da FIA, Max Mosley, ele mesmo um advogado qualificado, alertou anteriormente que, se as condenações fossem confirmadas, teria apenas uma saída para a F1: “A única opção seria retirar o automobilismo do país da jurisdição da FIA”.
Se isso ocorresse, o Grande Prêmio da Itália e em consequência a corrida da Ferrari em “casa” em Monza, teria um risco de não acontecer, evidenciando o quão fraco havia a categoria.
Em última instância, o juiz Constanzo tomou sua decisão, mesmo vários fatores apontando coisas que contribuiriam para o acidente, como velocidade, condições dos pneus e o tipo de pista, porém não haviam provas suficientes para estabelecer está responsabilidade criminal.
Os promotores solicitaram apenas penas de suspensão de um ano para Newey e Head, mas todas as acusações foram rejeitadas.
É interessante pensar nisto tudo que, o próprio Senna disse uma vez que no circuito de Ímola: “Não há acidentes pequenos neste circuito”, algo que após o acidente, adquiriu um significado tenebroso, principalmente por ele ter sido feito por uma vítima fatal daquela pista.