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Hoje (15/12): fotógrafo traz revelações de Ayrton Senna

Por Nelly Sandra
15 de dezembro de 2025
Em Últimas notícias
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Sempre tendo um bom olho para capturar os campeões mundiais da Fórmula 1, Keith Sutton desde de criança frequentava as pistas de corrida ao entorno de Manchester, cidade britânica onde ele nasceu, sempre acompanhado do seu pai, que era obrigado pela esposa a levar a criança de seis anos para encontrar os amigos em Oulton Park.

Seu pai era um fotógrafo amador e costumava tirar fotos suas fotos suas sentado em carros de corrida e até mesmo com pilotos, muitos que mais tarde vieram colocar seus nomes na história da categoria.

“Um dia, ele chegou até mim e disse: ‘Keith, você lembra daquele piloto que você tirou uma foto na Fórmula 3? Ele estará na Fórmula 1 pela BRM.’ Esse piloto era Jackie Stewart. Eu disse que iria torcer por ele e ver até onde ele chegaria. Ele se tornou tricampeão mundial de Fórmula 1″, revelou.

Criando contato com pilotos britânicos por serem do mesmo país, Sutton teve contato com Jim Clark e Graham Hill, ambos bicampeões mundiais de F1. Quando Stewart aposentou-se nos anos 0, ele decidiu encontrar outro piloto para torcer, escolhendo James Hunt para ocupar o lugar.

“Sempre escolho os campeões mundiais antes mesmo deles se tornarem campeões”, brincou o fotógrafo.

Quando completou 17 anos, ele decidiu entrar no mundo da fotografia ao ganhar uma câmera de 35 milímetros de seu pai. Seu sonho era ser fotógrafo da Fórmula 1 e andar entre os deuses do esporte, porém sua falta de experiência tornou seu caminho mais complicado.

Buscando aprender a como se virar neste mundo enquanto trabalha, Sutton tirava fotos dos carros e pilotos, tentando vender depois por 50 centavos, tentando criar uma conexão com os atletas. Com o tempo, passou a trabalhar para revistas, onde recebeu o conselho do fotógrafo do Autosport, David Winter, que o mandou buscar veículos estrangeiros para garantir um dinheiro extra.

“Consegui um livro da FIA com vários nomes e contatos de veículos relacionados ao automobilismo ao redor do mundo. Assim, passei a ir em várias corridas, procurar por pilotos de vários países estrangeiros para enviar fotos deles para esses veículos. Chamei a atenção de revistas de vários países, como a França, Itália, Argentina e, eventualmente, o Brasil”, revelou.

Em 1981, durante uma corrida da Formula Ford 1600 no Circuito de Thruxton, Sutton deu uma olhada na lista de pilotos da prova e procurou representantes brasileiros. Foi nesta busca que ele viu pela primeira vez um nome que marcaria a história do automobilismo mundial:Ayrton Senna da Silva, que pilotava pela equipe Van Diemen.

“Fui até o caminhão da Van Diemen e perguntei: ‘Quem é esse Da Silva?’. Eles me apontaram para esse cara. Eu nunca fui até ele e disse oi. Eu tinha 21 anos e era muito tímido, então só peguei a minha câmera, ele se virou para mim, sorriu e eu tirei uma foto. Foi a primeira fotografia que tirei do Ayrton”, contou o fotógrafo.

Keith contou que seguiu Senna pela pista durante todo o dia, mesmo tendo certeza de que o jovem não entendia os motivos dele está sendo fotografado. Naquele dia, eles não conversaram, porém o fotógrafo o reencontrou em outra prova em Brands Hatch na semana seguinte e teve sua primeira conversa com o brasileiro.

“Eu não tinha dinheiro para ir de Manchester até Brands Hatch. Estava sobrevivendo apenas de cereais. Mas senti na minha intuição de que deveria estar nessa corrida, e foi lá que o Ayrton chegou até mim e disse: ‘Eu te reconheço.’ Ele não sabia muito inglês, mas me questionou do porquê eu estava fotografando ele”, contou.

Na época, Senna perguntou se Sutton era fotógrafo profissional e o contrato para o acompanhar, buscando mandar as fotos para os jornais brasileiros, buscando ter publicidade e patrocinadores para não precisar mais do dinheiro do seu pai.

Foi desta conversa que saiu uma das parcerias mais importantes da história do automobilismo. Senna brilhava nas pistas nas categorias de bases europeias, e Sutton o seguia por todas as partes, até ele garantir o título da Fórmula Ford 1600 e anunciar que iria parar de correr.

“Eu me lembro que o comentarista Brian Jones disse para ele: ‘Você é campeão. Então o que vem agora? Fórmula 3 ou Fórmula Ford 2000?’. E Ayrton respondeu: ‘Eu terminei, estou aposentado. Meu pai pagou por esse ano, mas não quero que ele pague por outro. Vou voltar ao Brasil e ajudá-lo em sua empresa'”, explicou.

Sutton ainda contou que Senna o escreveu uma cata e declarou que talvez eles voltasse a se encontrarem quando ele retornar-se para a Inglaterra, mas isto nunca aconteceu: “Ayrton me escreveu uma carta, e ele era muito bom nisso. Ele escreveu algo como: ‘É bom conhecer pessoas como você. Estou voltando para o Brasil. Obrigado, por toda ajuda. Foi ótimo te conhecer. Talvez nos vemos quando eu voltar para o Formula Ford Festival’. Mas ele nunca voltou.”

Após anos e muita insistência, Senna retornou em fevereiro de 1982, ligando para Sutton anunciando a novidade após conseguir um patrocinador. Na época, o brasileiro já estava divorciado de Lilian, que antes da primeira parada do piloto não queria que ele permanecesse na Inglaterra por conta do frio.

Acompanhando Senna por todas as partes, Sutton então criou documentos e informações sobre as corridas do pilotos, preparando fotos, design dos documentos, enviando para executivos e até entrando em contato com vários nomes importantes da Fórmula 1. Certo tempo depois, os releases chamaram a atenção de grandes nomes da categoria, como Bernie Ecclestone, ex-CEO da F1 e antigo dono Brabham, Frank Williams, fundador da Williams Racing.

“Me lembro de chegar em casa e minha mãe me contar que Bernie havia pedido para entrar em contato. Ele me disse: ‘Esse jovem brasileiro Da Silva parece ser bem rápido.’ Lembro de responder: ‘Ele é incrível, Sr. Ecclestone. Sem dúvida de que ele estará na Fórmula 1 em dois anos e será campeão mundial em cinco.’ Naquele dia, ele ofereceu um teste nos carros da Brabham com o Ayrton. Em paralelo, Frank Williams também já havia oferecido testes em seus carros também”, detalhou o fotógrafo.

Sutton esteve no primeiro teste de Ayrton pela Fórmula 1, ao lado do jornalista Reginaldo Leme, que na época trabalhava pela Globo como repórter. Neste tempo, a McLaren queria o brasileiro, mas ele negou ao afirmar que precisava aprender primeiro, antes de aceitar um contrato longo com uma grande equipe, o que o levou a assinar com a Toleman em 1984.

Foi neste tempo que eles se separaram, com Sutton decidindo mudar de rumo, o que deixou Senna chateado, porém permaneceu seu amigo.

“Naquela altura, ele já tinha um advogado, um empresário, e as coisas ficaram mais sérias. Ele queria me contratar como um funcionário, com salário e pagamento de salário e despesas. Mas eu só teria permissão para fotografá-lo, mais ninguém. E ele seria dono dos direitos autorais de todas as fotos”, revelou.

Em sua passagem pelo brasileiro, Sutton fez uma exposição onde compartilha vários momentos do tricampeão mundial falecido em 1994, em um acidente fatal em Ímola, revelando todo o caminho que percorreram juntos para chegar na Fórmula 1 juntos.

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