O ex-piloto Nelson Piquet conquistou dois títulos mundiais de Fórmula 1 pela Brabham, mas o sucesso não foi suficiente para mantê-lo na equipe. Em busca de um salário melhor e sem chegar a um acordo com Bernie Ecclestone, então proprietário da escuderia, o brasileiro acabou encaminhando sua transferência para a Williams em 1986.
Em entrevista concedida em 2024 ao podcast Pelas Pistas, no YouTube, Piquet detalhou como ocorreu sua mudança de equipe, incluindo valores e impasses que definiram sua decisão que sacodiu o mundo da Fórmula 1 naquela época.
“Bernie não queria pagar ninguém… Queria pagar o mínimo possível. Eu disse a ele que gostava da equipe, mas que não fazia sentido aceitar US$ 1 milhão enquanto outra equipe me oferecia US$ 3,5 milhões. Eu ia trabalhar três anos para ganhar o que poderia receber em um?”, relembrou o tricampeão.
Diante da pressão, Ecclestone voltou atrás e se dispôs a oferecer US$ 1,5 milhão em adiantamento para mantê-lo na Brabham. Porém, Piquet já havia fechado acordo com a equipe de Frank Williams, concretizando sua saída sem maiores dificuldades.

O título pela Williams vencendo Mansell em 1987
No ano seguinte, Piquet se tornou o primeiro brasileiro a conquistar o tricampeonato da Fórmula 1. A consagração veio de forma antecipada, no Grande Prêmio do Japão, em Suzuka, em 29 de outubro de 1987.
Nigel Mansell, seu companheiro de equipe e principal rival pelo título, sofreu um acidente no treino classificatório e ficou fora da corrida, encerrando matematicamente sua disputa pelo campeonato e garantindo o troféu ao brasileiro.
Até hoje, a rivalidade entre Piquet e Mansell é lembrada como uma das mais intensas e dramáticas da história da Fórmula 1, marcada por confrontos diretos e bastidores turbulentos ao longo da década de 1980.