Recuperar os 24 pontos de vantagem de Lando Norris na tabela, com apenas dois GPs e um Sprint pela frente, será o grande desafio de Oscar Piastri e Max Verstappen nas etapas do Catar e de Abu Dhabi.
A desclassificação dos dois McLarens após o GP de Las Vegas reabriu uma disputa que, com o segundo lugar de Norris no circuito da Strip, parecia encaminhada para o piloto britânico. A matemática segue amplamente favorável ao líder, nascido em 1999, mas Piastri e Verstappen têm motivos para acreditar no impossível.
Para isso, talvez devessem buscar conselhos com Sebastian Vettel. Afinal, ninguém melhor do que o tetracampeão alemão para explicar como virar um campeonato com 24 pontos (ou melhor, 25, no caso dele) de desvantagem a apenas duas corridas do fim.
Vettel já conseguiu essa façanha nos tempos de Red Bull
Voltamos a 2010, há 15 anos, quando a Fórmula 1 estreou o atual sistema de pontuação, que premia o vencedor com 25 pontos. Aquela temporada foi uma das mais equilibradas da história: a duas provas do fim, Fernando Alonso liderava o Mundial, 11 pontos à frente de Mark Webber, 21 à frente de Lewis Hamilton e 25 à frente de Sebastian Vettel.

O alemão vinha de um abandono doloroso no GP da Coreia, provocado por uma quebra de motor enquanto liderava. E, diferente de hoje, não havia corridas sprint — ou seja, restavam apenas 50 pontos em jogo, até menos que atualmente.
A situação de Vettel era ainda mais crítica que a vivida agora por Verstappen e Piastri, que terão 58 pontos disponíveis até o encerramento da temporada. O então piloto da Red Bull fez o único possível: venceu e torceu.
No Brasil, superou Mark Webber e Fernando Alonso, enquanto Lewis Hamilton não passou do quarto lugar. Foi decisiva também a escolha estratégica da Red Bull, comandada por Christian Horner, de não usar ordens de equipe para favorecer Webber — o que teria colocado o australiano a um ponto de Alonso.
Em Abu Dhabi, o capítulo final da história é amplamente conhecido: Vettel fez a pole e venceu, com Hamilton em segundo. A Ferrari, por sua vez, comprometeu as chances de Alonso ao marcá-lo exclusivamente contra Webber.
Presos atrás da Renault de Vitaly Petrov, ambos terminaram em sétimo e oitavo lugares, entregando o título ao alemão. Quinze anos depois, Verstappen e Piastri tentarão repetir — ou ao menos se inspirar — em uma das maiores viradas já vistas na Fórmula 1.