Como destacado durante o Grande Prêmio de São Paulo, Andrea Stella, chefe da McLaren, levantou dúvidas sobre se a Red Bull deveria ter o custo de uma nova unidade de potência instalada no carro de Max Verstappen contabilizado no limite orçamentário.
Stella partiu do pressuposto de que a troca teria sido motivada por razões de desempenho, e não por uma falha iminente. Diante disso, a McLaren pediu esclarecimentos formais à Federação Internacional de Automobilismo para garantir que tudo estivesse dentro das regras.
FIA: zona cinzenta do regulamento
Na coletiva de imprensa de sexta-feira, o jornalista Jon Noble, do The Race, questionou Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, sobre a posição da entidade em relação ao tema — e a resposta não poderia ter sido mais direta.
Segundo Tombazis: “Como FIA, não queríamos entrar em uma situação em que, após a troca de uma unidade de potência, tivéssemos que discutir com a equipe ou com o fabricante se os dados de telemetria realmente indicavam um problema de confiabilidade. Não nos vemos como especialistas o suficiente para determinar se a troca foi motivada por confiabilidade ou por estratégia.”
Em outras palavras, a Red Bull explorou uma das áreas cinzentas mais conhecidas do regulamento. Tombazis aprofundou o ponto: “Quando se chega a esses limites, tudo fica complicado. Essa é uma fragilidade das regras atuais. Mas, para 2026, isso estará resolvido, porque as fabricantes de motores não terão qualquer vantagem em fazer substituições estratégicas — cada troca custará cerca de um milhão. Para este ano, é um ponto fraco, pois não há teto de custos para unidades de potência, mas isso será corrigido no próximo ano.”
A declaração deixa claro que, em 2024, as brechas ainda existem — mas seus dias estão contados. E discussões como essa envolvendo o atual tetracampeão do mundo no Brasil não devem se repetir na principal categoria do automobilismo mundial.