A Audi, equipe de Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 em 2026, apresentou um estudo de design do seu primeiro carro, mas o modelo exibido ainda não está completo. Segundo Mattia Binotto, diretor técnico da equipe, apesar de o carro já estar montado e passando por testes iniciais, falta uma peça fundamental: o motor.
Binotto revelou que isso deve ocorrer em poucas semanas, antes do fim do ano. Ele destacou, porém, que o carro usado nos testes iniciais será diferente do modelo final: “Queremos chegar a Melbourne com o melhor carro possível. Por isso, estamos tentando avançar ao máximo no desenvolvimento dentro do cronograma.”
O desafio é grande, pois os testes de pré-temporada em 2026 acontecerão mais cedo do que o habitual. “Precisamos estar prontos no início de janeiro”, explicou Binotto. Isso inclui compreender rapidamente o comportamento do carro e a gestão de energia do conjunto híbrido — uma área completamente nova para a Audi.
Ao contrário das rivais, a marca alemã nunca desenvolveu uma unidade de potência turbo-híbrida para a F1. E, enquanto Sauber, a equipe sempre recebeu motores prontos da Ferrari. Agora, tudo é diferente: “Somos uma equipe nova, trabalhando com um conceito totalmente novo”, afirmou Binotto.
A dupla vantagem — e desvantagem — de fazer tudo internamente
Desenvolver motor e chassi sob o mesmo teto traz benefícios técnicos, mas também aumenta a complexidade. O CEO da Audi, Gernot Döllner, reforça: “Temos que criar o conjunto motopropulsor na Alemanha e transformar a Sauber, na Suíça, na futura equipe Audi. Veremos em 2026 como essas vantagens e desvantagens se equilibram.”
Segundo Binotto, não havia outra escolha: “Ter tudo internamente é uma vantagem clara. Aceitamos a complexidade porque nosso objetivo é vencer. A Audi não entrou na F1 apenas para participar.”
Pressão desde o primeiro dia
Essa decisão, no entanto, coloca a empresa sob enorme pressão. A Audi precisa dominar a integração entre carro e motor já sob o novo regulamento — e entregar resultados rapidamente, pois a expectativa interna é de que a equipe se torne competitiva em poucos anos.
Binotto admite: “Em 2026, a pressão será ainda maior do que em 2025. O importante será definir metas realistas para 2026 e para os anos seguintes. Se administrarmos isso bem, a pressão será manejável.”
Ele também ressalta que erros farão parte do processo: “As expectativas são altas — inclusive as nossas. Mas precisamos estar prontos para aprender com os contratempos e seguir em frente.”
Apesar do cenário desafiador, Binotto diz não estar preocupado: “Nosso foco é garantir que a transição da Sauber para a Audi seja bem-sucedida. Esse é o ponto mais crítico.”
O chefe de equipe, Jonathan Wheatley, compartilha a mesma visão: “Não costumo me preocupar. Você encara a tarefa que tem pela frente, resolve, e passa para a próxima. É assim que se evolui — e é a única forma de sobreviver na Fórmula 1.”