O ex-piloto de Fórmula 1, Lucas di Grassi confessou que o escândalo “Crashgate” causou danos expressivos em sua carreira nas pistas.
O Grande Prêmio de Singapura de 2008, teve um lance polêmico onde Nelson Piquet Jr., da Renault, recebendo instruções para causar um acidente intencional durante a prova para ajudar seu então companheiro de equipe, Fernando Alonso, a vencer a corrida.
Após 17 anos da polêmica, a desavença voltou as manchetes com o processo judicial movido por Felipe Massa, ex-piloto da Ferrari contra a Fórmula 1, a FIA e Bernie Ecclestone, ex-chefe da categoria.
O brasileiro pede 64 milhões de libras como indenização mais juros, já que de acordo com ele, o episodio infame foi crucial na perda do título mundial daquela temporada, vencida por Lewis Hamilton, que conquistou seu primeiro mundial pilotando uma McLaren.
Massa esteve presente nesta última quarta-feira (29/10), no Tribunal Superior de Londres, para o primeiro dos três dias de audiências. No processo movido, o ex-piloto da Ferrari baseia-se em comentários feitos por Ecclestone em 2023, quando ele afirmou saber das intenções da Renault na época, mas que em conjunto com Max Mosley, presidente da FIA no ano, decidiram não fazer nada para “proteger o esporte”.
Na época, Massa liderava a corrida em Singapura, porém após o acidente causado por Piquet e a entrada do Safety Car, a Ferrari realizou um pit stop tenebroso, resultando em um final de corrida sem pontos para seu piloto.
Di Grassi, que na época era piloto reserva da Renault e é muito amigo de Felipe Massa, viu o escândalo explodir de perto no muro dos boxes.
Ao comentar sobre a decisão de Massa de levar o processo para frente, di Grassi respondeu ao portal RacingNews365 em uma entrevista exclusiva que “não podia generalizar sobre o Brasil”.
“Não faço ideia porque não pesquisei nada, não sei. Na minha opinião, gosto do Felipe, ele é um grande amigo meu. Ele fez um campeonato incrível naquele ano. Ele mereceu ganhar? Sim. Mas, neste esporte, tantas coisas podem acontecer que, se você começar a analisar todos os cenários possíveis que ocorreram nos últimos 40 anos do esporte, há muitas maneiras de enquadrá-los. Há tantas incógnitas neste esporte que é muito difícil justificar qualquer coisa”, declarou Di Grassi.
“Eu gostaria que ele fosse campeão. Sim, acho que ele foi o campeão moral daquele ano. A vitória dele mudaria alguma coisa? Acho que financeiramente, sim. Mas, além disso, eu não gostaria que esse precedente fosse aberto para todos os campeonatos perdidos ou disputados de forma diferente. Espero sinceramente que ele receba o que merece, mas, ao mesmo tempo, não quero que o esporte abra esse precedente”, finalizou.