Há 50 anos, em janeiro de 1975, o único veículo de Fórmula 1 projetado e construído no Brasil estreou no Grande Prêmio da Argentina. A Copersucar-Fittipaldi correu em oito temporadas e 104 etapas da categoria, conquistando três pódios e contabilizando ao todo, 44 pontos no Campeonato de Construtores.
O destaque desta história foi o segundo lugar conquistado no GP do Brasil, por Emerson Fittipaldi, em 1978.
Contudo, seu final foi triste, tornando-se o pesadelo de Wilson Fittipaldi Jr. Inicialmente Wilsinho e o projetista Ricardo Divila, que ainda era engenheiro aeronáutico formando pela FEI em 1973.
A princípio para a F1 brasileiro era de que o carro precisaria ser montado apenas com componentes fabricados no país, tendo como exceção de motor, câmbio, freios e pneus. O diretor técnico da Fittipaldi Veículos e Equipamentos, Divila atuava com os irmãos Wilson e Emerson, responsáveis pela construção dos automóveis, como o Fitti-Porsche e o Fusca Bimotor, além de outros.
A diferença entre os carros para competições domesticas e um para a disputa da Fórmula 1, porém mesmo naquela época em que poderiam fumar dentro dos boxes, chefe de times atuando sem camisa e barreiras entre público e pista, tudo mais pratico, porém uma categoria mais cara.
O patrocínio da Copersucar, a Cooperativa de Produtos de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, tudo equivalente ao orçamento de uma equipe independente na F1: aproximadamente US$ 950 mil, na época por temporada.
O Brasil vivia no falso sonho do “milagre econômico”, tudo por conta do regime militar, com a Seleção Brasileira conquistando o Tri e Emerson Fittipaldi, seu segundo título na Fórmula 1. Ou seja, o ambiente era bom, porém o patrocinador queria o retorno do valor colocado no projeto, porém não ocorreu com a rapidez esperada.
A melhor posição da Fittipaldi em sua primeira temporada foi o décimo lugar no Grande Prêmio dos Estados Unidos.
No fim de 1975, a resposta da intimidação patrocinador, Emerson enfim deixou a McLaren para torna-se piloto da equipe do seu irmão. A melhor temporada da Copersucar foi a de 1978, ano em que finalizou em sétimo no Mundial de Construtores, à frente de McLaren, Williams e Renault. Contudo, no ano seguinte, as coisas foram horríveis, com o carro criado por Ralph Bellamy, o projetista da Lotus, campeã na temporada anterior.
Ao fim do patrocínio da Copersucar e a chegada da Skol, que permaneceu até apenas 1980, retirando-se quando as críticas da imprensa direcionados ao projeto. em dinheiro e sem apoio, a Escuderia Fittipaldi resistiu apenas até 1982 com patrocínios esporádicos, sendo obrigado a fechar as portas.