O acidente infame no final de 1995 acabou custando a David Coulthard cerca de 2,5 milhões de euros, porém ele decidiu revelar que a culpa não foi totalmente dele. O ex-piloto liderava sua última corrida pela Williams, quando entrou para realizar seu pit stop em Adelaide, porém travou e bateu no muro do pit lane.
No GP da Austrália de 1995, Coulthard disputava posição com seu companheiro de Williams, Damon Hill e logo na largada conseguiu assumir a liderança da corrida, com os dois pilotos da equipe de Grove abrindo quase 20 segundos de diferença do terceiro colocado, Michael Schumacher. Contudo, a situação mudou na volta 19, quando o escocês pareceu entrar no pit lane muito veloz, travando e batendo no canto dianteiro esquerdo se sua Williams, diretamente nos boxes e sendo eliminado da corrida de imediato, além de ver seu companheiro vencer a prova.
Visto de forma externa, o erro parecia algo de direção direta e mesmo Coulthard declarando que contribuiu para o ocorrido, a causa principal foi uma falha mecânica em seu FW17, como contou o próprio Coulthard, em entrevista exclusiva ao PlanetF1.com.
“No final de 95, na corrida de Adelaide, eu estava liderando com muita facilidade sobre Damon quando parei e reduzi as marchas. Quando engatei a segunda marcha, o autoblip fez uma ultrapassagem, o que não era normal, e empurrou o carro para frente. E não havia margem para erro algum, e bati no muro dos boxes. Foi um problema eletrônico, seguido de um erro do motorista, porque eu não esperava o problema eletrônico. Eu estava em velocidade de cruzeiro”, explicou o escocês.
O ex-piloto ainda contou que o acidente lhe causou consequências maiores do que apenas uma reclamação de Patrick Head e Frank Williams, visto que ele teve que desembolsar um grande valor financeiro.
“Se eu tivesse vencido aquela corrida, teria ganhado meio milhão de libras de bônus. O bônus de vitória era meio milhão, então eu ganhei no Estoril e, se eu ganhasse no Adelaide, ainda tem mais meio milhão. A questão é que, se eu tivesse vencido duas corridas em 1995, a McLaren teria pago um milhão de dólares a mais em cada ano do meu contrato de 1996 e 1997. Então, aquele acidente me custou dois milhões e meio de libras”, revelou.
Coulthard venceu seu primeiro Grande Prêmio poucas semanas antes do acidente em Adelaide, conseguindo cruzar a linha de chegada antes de todos na prova de Portugal. Outras vitórias escaparam de suas mãos por erros cometidos pela inexperiência, afinal 1995 foi sua primeira temporada completa, desde que assumiu o carro de Ayrton Senna após a morte do piloto brasileiro em Ímola, em 1994.
“O carro de 95 era um ótimo carro, eu adorava aquele carro. Mas eu tinha falta de experiência, falta de confiabilidade, uma série de fatores, e então Michael apareceu”, relembrou.
Após a inesquecível corrida em Adelaide em 1995, Coulthard deixou a Williams para juntar-se à McLaren no ano seguinte, permanecendo no time britânico até o final de 1994.