Ayrton Senna e Rubens Barrichello sempre mantiveram uma boa relação dentro e fora das pistas, sendo amigos desde o início no kart e seguindo até os primeiros passos de Rubinho na Fórmula 1. A convivência de ambos os aproximaram ainda mais, fazendo com que o tricampeão mundial adotasse o outro brasileiro como um “irmão mais novo”.
Em entrevista ao MotorSport Magazine, o ex-piloto da Fórmula 1 e atual campeão da Nascar Brasil, relembrou o início da amizade com o tricampeão falecido, classificando-o como “um herói”, além de um verdadeiro irmão. Somado a está situação, Barrichello relembrou a gentilizar e ajuda que Senna sempre o ofereceu no mundo do automobilismo e a pilotagem que o deixou “apaixonado”.
“Ayrton sempre foi muito gentil comigo. Ele era como um irmão mais velho, porque sabia que eu não tinha muito dinheiro, então sempre fazia o possível para me ajudar. Ele me apresentava às pessoas, fazia tudo o que podia. Ele era um herói tanto quanto um irmão mais velho. Eu sempre costumava observar as mãos dele nos vídeos que eu comprava ou alugava. A maneira como ele pilotava, uau! eu simplesmente era apaixonado por aquilo. Então, sim, desde cedo ele teve um impacto muito grande na minha carreira”, relembrou Rubinho.
Em 1994, durante sua segunda temporada na Fórmula 1 com a Jordan, Barrichello viveu um momento difícil no fim de semana do GP de San Marino. Na sexta-feira, o brasileiro sofreu um grave acidente nos treinos, enquanto no sábado, Roland Ratzenberger perdeu a vida em uma forte batida. No domingo, o momento mais trágico, Ayrton Senna foi a vítima fatal da corrida.
Rubens Barrichello relembra aquele dia como um pesadelo, descrevendo até uma “ligação espiritual” que tinha com Senna, até os últimos dias de vida do tricampeão mundial. Após a morte do na época piloto da Williams, Rubinho carregou seu caixão no enterro, porém reafirma que tem memória deste período, consequência da perda de lembranças causada pelo acidente em Ímola.
“Havia uma ligação espiritual entre Ayrton e eu. Havia algo que, de alguma forma, nos aproximava. Sofri aquele enorme acidente em Ímola, depois ele teve um ainda pior. E talvez tenha sido por causa da minha batida enorme, mas, embora eu saiba que carreguei o caixão dele no funeral e já tenha visto fotos minhas fazendo isso, não tenho nenhuma lembrança. Acho que perdi um pouco da memória depois da batida forte em Ímola, mas, na verdade, acho que talvez Deus tenha me protegido ao bloquear essas lembranças, porque, sempre, mesmo logo depois da morte dele, quando penso em Ayrton, penso nele sorrindo”, contou Rubinho.
O luto pelo amigo, todavia, ficou ainda mais forte no ano seguinte, quando a competição mundial retornou ao Brasil pela primeira vez desde a morte de Senna, como relembrou Rubinho. Naquele momento, o brasileiro também sentiu o peso e a responsabilidade de representar o povo, o que motivou a fazer um trabalho ainda melhor nas pistas, não só pelo amigo e sim pelo país.
“Ele não estar ali em 1994 foi difícil. Não acho que muita gente entendeu o quão ruim foi para mim, o quanto sofri. Então decidi, e disse: ‘Espero que, embora Ayrton não esteja mais conosco na pista, eu possa fazer coisas na pista em seu lugar que deixem o Brasil orgulhoso.’ Eu não estava tentando me comparar a Ayrton, mas queria fazer bem por ele e pelo Brasil. Quando corremos no Brasil em 1995, que foi a primeira corrida daquela temporada, o luto realmente me atingiu. Quando olhei para todos os espectadores, disse a mim mesmo: ‘Jesus, agora isso depende de mim. Eu, Roberto Moreno e Pedro Diniz somos os únicos brasileiros na corrida. Como vou dar conta?’ E alguém me disse: ‘Talvez você não entenda o quanto Senna te amava, mas, acredite, ele amava, e está cuidando de você.’ E, embora isso tenha me feito sentir ainda mais a falta dele, aquela tristeza foi um sentimento incrível”, declarou.