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19 de agosto de 2020
Como piloto paranaense Felipe Drugovich deixou ‘anonimato’ para entrar no ‘mapa da F1’

Novato paranaense vem se destacando mesmo correndo por uma equipe de meio de pelotão

Piloto da MP Motorsport na Fórmula 2, Felipe Drugovich venceu de forma dominante a segunda corrida da etapa da Espanha no último domingo e voltou a se destacar na atual temporada da categoria de acesso à Fórmula 1.

Com dois triunfos e uma pole na F2, o brasileiro é um dos principais nomes de 2020 e já foi citado por pilotos de destaque da F1. O britânico George Russell, da Williams, rasgou elogios a Drugovich e disse que sua atuação em Barcelona foi “muito impressionante”.

Embora corra por uma equipe de meio de pelotão, o paranaense tem mostrado consistência e ocupa a oitava posição do campeonato, gerando grande empolgação entre os fãs brasileiros de automobilismo. A boa impressão, porém, não se restringe ao Brasil. Os bons resultados de Drugovich já são destacados por jornalistas especializados em todo o mundo. Especialmente na Europa, onde estão as principais equipes do esporte a motor.

Editor do Motorsport.com Itália e especialista em categorias juniores de fórmula, o experiente Roberto Chinchero apontou o piloto de Maringá como um dos melhores do campeonato até o presente momento.

“Drugovich é sem dúvida uma das grandes surpresas da primeira metade da temporada 2020 da F2. Com duas vitórias em corridas 2 e a pole em Silverstone, o piloto de 20 anos se coloca como um dos novatos mais interessantes da temporada, especialmente considerando que ele não chegou à F2 como alguém para ficar de olho”, avaliou o jornalista, fazendo menção ao fato de que o brasileiro estreia na categoria neste ano, mas chegou sem expectativas.

2019 difícil ‘enganou’ o paddock da F2
“Isso porque sua temporada do ano passado, que foi decepcionante na Fórmula 3, teve apenas um resultado entre os 10 primeiros. Mas, em 2019, seu companheiro de equipe (Carlin) foi Logan Sargeant… Também vindo de uma temporada fracassada exatamente como Drugovich, ele hoje é o líder do campeonato de F3”, seguiu o italiano, ponderando que o norte-americano agora corre pela Prema, um dos melhores times da categoria.

“Isso nos permite enquadrar 2019 como uma temporada de F3 muito difícil para a equipe Carlin. Mas não porque o nível dos pilotos não fosse bom o suficiente. Na verdade, em 2018, Drugovich ganhou o título do Euroformula Open e, na temporada anterior, terminou em terceiro na Fórmula 4 alemã, atrás de Juri Vips e Marcus Armstrong. Se excluirmos 2019, temos um piloto que sempre obteve resultados muito interessantes.”

“O que confirma tudo o que estamos vendo nesta temporada: um piloto capaz de se adaptar muito rapidamente a um carro novo, um talento indiscutível e também uma maturidade notável, que se manifesta na gestão da corrida, um elemento crucial na F2. E os resultados de Drugovich também vêm com uma equipe (MP Motorsport) que nunca lutou por campeonatos, embora o time holandês tenha reforçado seu quadro técnico”, ressaltou.

O passo para a categoria máxima
Questionado sobre uma eventual ascensão de ‘Drugo’ à F1, Chinchero respondeu: “Nos últimos anos, poucos conseguiram entrar na F1 como ‘independentes’, ou seja, sem fazer parte de uma academia de pilotos de uma equipe (como Ferrari, Renault, Red Bull, etc). Isso pode ser um obstáculo para Drugovich, mas uma ótima temporada, e é isso que o brasileiro está fazendo, é sempre um ótimo cartão de visitas.”

“Acredito que seu objetivo hoje deve ser terminar 2020 da melhor forma possível e não ter pressa em ir para a F1, tentando garantir uma vaga (na F2) para 2021 em uma equipe de primeira linha. Se fixar essa meta, terá tudo para almejar o título no próximo ano, e isso pode ser um passo fundamental para ele se tornar um piloto mirado pelas equipes de F1”, completou o jornalista.

“Subestimado” teve ritmo avassalador
Repórter correspondente do Motorsport.com na F2 e em outras categorias juniores de monopostos, o francês Benjamin Vinel seguiu a linha de Chinchero e destacou o domínio do piloto brasileiro em Barcelona.

“Drugovich foi subestimado por causa de sua temporada na F3, mas ninguém da Carlin foi bem em 2019. A vitória na Espanha foi excelente em termos de ritmo e ele é um dos somente dois novatos com pole na F2. Tudo isso com um time não tão badalado”, analisou.

 

Fonte: Motorsport.com