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18 de abril de 2012
Bomba, prefeitura não pode construir autódromo em Deodoro e exército recusa ceder outro terreno

Bomba, prefeitura não pode construir autódromo em Deodoro e exército recusa ceder outro terreno

E a coisa começa a ficar feia…

Nesta terça-feira, em reunião presidida pelo secretário municipal de Meio Ambiente e VICE-PREFEITO, Carlos Alberto Muniz, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemac) aprovou um envio de um parecer para o prefeito carioca Eduardo Paes, com o pedido de alteração no local previsto para a construção do Autódromo de Deodoro.

De acordo com o Consemac, o local escolhido para o autódromo “impactará diretamente o Morro da Estação – Sítio de Relevante Interesse Paisagístico e Ambiental Municipal, assim definido pelo art. 117, VIII, do Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro”. E, com isso, a prefeitura não poderá acatar a licença ambiental que será emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Nem preciso dizer que, com isso, além de o caso ir para na Justiça, caso o prefeito não acate o parecer, todo o projeto montado para a construção do Autódromo de Deodoro irá para o lixo e precisará recomeçar do zero.

A sugestão do Consemac é a de que o autódromo seja construído ainda em Deodoro, mas em uma área distante um quilômetro da que foi escolhida.

Lembro que a construção do Autódromo de Deodoro é condição para a demolição da pista de Jacarepaguá e o surgimento do Parque Olímpico dos Jogos Rio-2016.

 

Problemão olímpico

Rio – O Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemac) condenou ontem a construção do novo autódromo em um terreno de Deodoro cedido pelo Exército. A decisão complica as obras do Parque Olímpico na área do atual autódromo: um acordo prevê que os trabalhos só começarão depois do término do novo circuito.
Entre os presentes à reunião estava o vice-prefeito e secretário do Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, que também foi contra o uso do terreno. Para os conselheiros, a área é inadequada por ser coberta de vegetação de Mata Atlântica.
Paes quer explicar
A assessoria de Eduardo Paes disse que ele não vai acatar a decisão do Consemac. A prefeitura negou conflitos com Muniz e disse que o prefeito irá explicar o projeto aos conselheiros. No Parque Olímpico ficarão algumas das principais arenas dos Jogos.
Corretagem verde
Os conselheiros querem levar o autódromo para outra área militar, a um quilômetro da escolhida. O problema, disseram, seria a resistência do Exército: este terreno teria maior valor comercial e seria facilmente vendido para particulares.

Fonte: O Dia Online

 

Ex-presidente da FAERJ critica os “objetivos sórdidos” que darão fim ao autódromo do Rio

Por Americo Teixeira Jr. – A matéria “O ‘sepultamento’ definitivo do automobilismo do Rio de Janeiro ocorrerá em questão de meses“, publicada neste Diário Motorsport no último dia 10, mereceu um comentário do ex-presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), Affonso Henriques Dáquer, que foi também diretor de finanças da CBA na Gestão Paulo Scaglione e hoje, sob a presidência de Cleyton Pinteiro, é suplente do Conselho Fiscal.

A íntegra do comentário segue abaixo:

“Imediatamente após o acordo judicial com a prefeitura, na saída da audiência, comentei com meu amigo Zeraik (Felippe Zeraik, advogado da CBA) que aquele acordo não seria cumprido pela prefeitura, pois já sabemos, antecipadamente, o comportamento de um político. Eles jamais poderiam ter colocado os pés no autódromo, sob pena do Rio ficar acéfalo, no que diz respeito ao automobilismo. Porque em vez de construir a Vila Olympica onde se encontra o autódromo, não fazem esta mesma vila em Deodoro? Não estaria mais de acordo com o fim que se propõe? Ocupem aquele espaço para uma festa de quinze dias, a um custo muito inferior e, após, entreguem o mesmo espaço para a natureza.

O que não é justo é exterminar um esporte, que pode ser considerado de utilidade pública, pois todos que possuem automóvel são beneficiados, diretamente, com os frutos colhidos no “laboratório”, leia-se autódromo, por uma “brincadeira” de quinze dias, ao custo de bilhões de reais, onde somente uns poucos serão beneficiados. Assim, diante de tanta insensatez, só posso entender, com toda certeza, que a olympíada é mero pretexto para tomar de assalto aquela área e com posterior “negociata” para entrega aos empreendedores imobiliários, assim como foi o ensaio do famigerado Pan.

Desde 1989, eu já imaginava que isto iria acontecer em algum dia, época que eles (politicos) ainda não tinham refletido sobre esta possibilidade. Muita coincidência. Assim, quando estive à frente da FAERJ, fizemos, assim como continua a ser feito, muitos eventos esportivos no autódromo. Aquela praça nunca esteve ociosa. Um cidadão que esteve à frente da prefeitura procurou esvaziar o autódromo de eventos, retirando a Indy, o Mundial de Motos para justificar que o espaço era ocioso e deveria ser ocupado de outra forma. Tudo previamente arquitetado para a “invasão”, com os objetivos dos mais sórdidos possíveis, imaginários e impublicáveis.

Quando isto ocorreu, comentei com meus ‘botões’: É, o dia chegou. Não sabia quando mas, que ia acontecer, tinha certeza. Não iam deixar aquele espaço ‘impune’. Tudo já foi reformulado para inserir aquela área na Barra da Tijuca, objetivando o aumento do “status” do local e maior valorização dos imóveis que ali pretendem construir e … mais dinheiro nas contas bancárias, concomitantemente.

Só espero que naufraguem neste mar de lama e se atolem no pântano que o terreno é. Já dizia Carlos Lacerda: ‘Falo no que penso, pois penso no que falo’. ‘Coincidências não existem’, dizia Kardec”.

Affonso Henriques Dáquer
Ex-presidente da FAERJ 89/91 91/93

Fonte: www.diariomotorsport.com.br